Em torno dos 30°C, a água aumenta a sensação de relaxamento muscular e de bem-estar
O EFEITO TERAPÊUTICO
A cautela se justifica. Em casos extremos, como depressão e síndrome do pânico, assegura Antonio Nardi, da UFRJ, o uso de remédios é fundamental. "Passada a fase mais aguda do transtorno, os exercícios físicos são tão fundamentais quanto os medicamentos. Um, porém, não substitui o outro. Eles são complementares. Nesses casos, o tratamento ideal está na associação de três fatores igualmente importantes: os medicamentos, a psicoterapia e os exercícios físicos", destaca o psiquiatra.
E se quem sofre de transtorno de ansiedade quiser começar, ainda hoje, a dar as primeiras braçadas? Que exercício aquático ele deve fazer? O mais indicado, responde Viviane Buzzo, é a hidroginástica. E por um motivo simples. "É o que proporciona ao praticante o ambiente mais propício à interação social", resume.
FÍSICO SAUDÁVEL
A natação, além de não possibilitar maior interação social entre os praticantes, também apresenta algumas restrições. "No caso de indivíduos com insuficiência cardíaca, a posição horizontal pode provocar uma descompensação por aumentar subitamente o retorno venoso", explica o cardiologista José Kawazoe Lazzoli. O mesmo pode ser dito do polo aquático. "O polo só deve ser praticado por pessoas com maior resistência física e força muscular. E, principalmente, com diagnóstico físico saudável", aconselha Viviane.
Diagnóstico físico saudável, aliás, é pré-requisito fundamental para quem quiser se aventurar nas raias de quiser se aventurar nas raias de uma piscina. Não é qualquer aspirante a César Cielo que pode se tornar um recordista mundial dos 100 metros livres do dia para a noite. "Exercícios aquáticos podem ser realizados por pessoas de qualquer idade, mas sempre com orientação especializada. Sem essa orientação, eles podem trazer os mais variados problemas, como dores musculares e lesões nas articulações", adverte Antonio Nardi.
FOBIA DE ÁGUA
Outro importante fator de restrição à prática de exercícios aquáticos é a hidrofobia - ou aversão patológica à água. Neste caso, seus portadores não conseguem sequer chegar perto da borda de uma piscina sem sentir o coração disparar, a respiração ficar ofegante e as pernas começarem a tremer. Em algumas situações, podem sofrer ataques de pânico ou mesmo chegar ao desmaio.
O que fazer numa situação dessas? Quem responde é o psiquiatra Tito Paes de Barros Neto, do Amban. Autor do livro Sem medo de ter medo (Editora Casa do Psicólogo), ele recomenda a dessensibilização - técnica desenvolvida pelo psiquiatra sul-africano Joseph Wolpe que consiste em expor o paciente aos objetos de sua fobia e fazê-lo imaginar situações que provocam tremores, suores e palpitações.
"O ideal é traçar um planejamento de exposição e enfrentamento bem gradual. Nesse caso, poderíamos começar encorajando o fóbico a entrar em contato com água na pia do banheiro. Em seguida, entraríamos na parte rasa da praia. Depois, avançaríamos até a altura da cintura e assim por diante. Se a pessoa se sentir à vontade para praticar exercícios aquáticos, ela já pode se considerar curada", avisa o psiquiatra.

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